A relação entre Premier League e Europa envolve muito mais do que prestígio e dinheiro. Disputar Champions League, Europa League ou Conference League aumenta a exposição dos clubes, mas também reduz o tempo de descanso e exige viagens, rodízio e preparação para diferentes estilos de jogo.
Por isso, um levantamento sobre as últimas temporadas do futebol inglês apresenta um cenário interessante. Enquanto alguns clubes conseguem competir em alto nível nas duas frentes, outros sentem claramente o peso de um calendário mais apertado.
Premier League e Europa exigem elencos preparados para o calendário
Na temporada 2026-27, nove clubes ingleses aparecem envolvidos em competições continentais segundo o levantamento publicado pela Opta Analyst.
Arsenal, Manchester City, Manchester United, Aston Villa e Liverpool estão na Champions League. Bournemouth, Sunderland e Crystal Palace aparecem na Europa League.
Além disso, o Brighton buscava uma vaga na Conference League quando o estudo foi publicado. O primeiro duelo do playoff contra o Tromsø terminou empatado por 0 a 0 na Noruega.
Jogar na Europa, naturalmente, representa uma oportunidade enorme. Afinal, além da possibilidade de conquistar um título internacional, os clubes recebem receitas importantes e aumentam sua capacidade de atrair grandes jogadores.
O Arsenal oferece um bom exemplo. Segundo o levantamento, o clube arrecadou mais de 100 milhões de libras com sua campanha até a final da Champions League na temporada anterior.
Contudo, o desafio esportivo também aumenta.
Com partidas durante a semana, viagens internacionais e compromissos da Premier League aos fins de semana, as comissões técnicas precisam administrar cuidadosamente o elenco.
Dessa forma, quantidade e qualidade das opções disponíveis no banco ganham ainda mais importância.
Alguns clubes sentiram o peso da temporada europeia
A temporada 2025-26 trouxe casos que ajudam a entender esse cenário.
Chelsea, Newcastle e Nottingham Forest disputaram competições europeias e perderam posições importantes na Premier League em comparação com a campanha anterior.
O Chelsea caiu seis posições e terminou em décimo. O Newcastle perdeu sete colocações e voltou para a metade inferior da tabela.
Enquanto isso, o Nottingham Forest caiu nove posições. O clube chegou a conviver com a ameaça de rebaixamento apenas uma temporada depois de terminar em sétimo.
O Tottenham também teve uma campanha doméstica complicada. Embora tenha repetido a 17ª posição, ficou novamente muito próximo da zona de rebaixamento.
Entretanto, participar da Europa não significa automaticamente piorar na Premier League.
O Arsenal conquistou o campeonato inglês enquanto avançava até a final da Champions League. O Manchester City também melhorou uma posição e permaneceu na disputa pelo título.
Além disso, o Aston Villa avançou do sexto para o quarto lugar e ainda conquistou a Europa League.
Ou seja, Premier League e Europa podem coexistir com sucesso quando o clube possui estrutura, profundidade de elenco e capacidade para administrar a sequência de jogos.

Descanso e viagens podem influenciar a Premier League
Um dos pontos mais interessantes do levantamento aparece quando observamos os clubes que ficaram fora das competições europeias.
Manchester United e Bournemouth apresentaram as maiores evoluções na tabela entre 2024-25 e 2025-26.
O United avançou 12 posições. Já o Bournemouth melhorou três colocações.
Além disso, ambos disputaram apenas 40 partidas em todas as competições durante a temporada. Dessa forma, tiveram mais tempo para recuperar jogadores, preparar estratégias e trabalhar entre uma rodada e outra.
Por outro lado, clubes envolvidos em competições europeias enfrentaram intervalos menores entre partidas.
Depois de Arsenal e Manchester City, Crystal Palace, Newcastle, Nottingham Forest, Aston Villa, Liverpool e Chelsea estiveram entre os times com menos descanso médio durante a temporada.
Entre eles, apenas o Aston Villa melhorou sua posição na Premier League.
O Tottenham apareceu logo depois nessa lista. Embora não tenha perdido posições, novamente terminou próximo da parte mais perigosa da tabela.
Viagens também entram nessa conta
O número de quilômetros percorridos pelos clubes apresentou outra relação interessante.
De acordo com o estudo, os quatro times que mais viajaram durante a temporada 2025-26 terminaram a Premier League em posições inferiores às registradas no campeonato anterior.
O Manchester United, por sua vez, esteve entre os clubes que percorreram menores distâncias.
Portanto, não se trata apenas da quantidade de partidas.
Longas viagens também reduzem tempo de recuperação. Além disso, elas interferem no planejamento de treinos e aumentam o desgaste acumulado durante uma temporada que já exige muito fisicamente.
Clubes europeus mudam mais suas escalações
Outro dado reforça essa diferença.
Os clubes ingleses envolvidos em competições europeias realizaram, em média, 93,7 alterações em suas escalações titulares ao longo da temporada. Isso representa aproximadamente 2,5 mudanças por rodada.
Já os clubes sem compromissos continentais fizeram uma média de 70,9 alterações, cerca de 1,9 por rodada.
Assim, jogar durante a semana naturalmente aumenta a necessidade de rodízio.
Além disso, as equipes precisam enfrentar adversários com características muito diferentes daquelas encontradas normalmente na Premier League.
Por isso, treinadores precisam preparar rapidamente estratégias diferentes enquanto administram a condição física dos jogadores.
Ficar fora da Europa pode virar vantagem temporária
A história recente também apresenta exemplos importantes.
O Chelsea conquistou a Premier League em 2016-17 enquanto estava fora das competições europeias.
Naquela mesma temporada, o Liverpool terminou entre os quatro primeiros pela segunda vez em oito anos. Jürgen Klopp conseguiu trabalhar mais durante as semanas e começou a construir a equipe que posteriormente conquistaria grandes títulos.
Além disso, o Newcastle oferece outro exemplo recente. Nas duas temporadas entre as últimas quatro em que ficou sem calendário europeu, terminou em quarto e quinto lugares.
Quando participou das competições continentais, terminou em sétimo e 12º.
O Tottenham também registrou sua melhor classificação nesse período justamente quando ficou sem jogos europeus. O clube terminou em quinto na temporada 2023-24.
No entanto, existem exemplos no sentido contrário.
West Ham e Wolverhampton tiveram calendário exclusivamente doméstico em 2025-26, mas perderam quatro posições e acabaram rebaixados.
Portanto, ficar fora da Europa não garante uma boa campanha.
Qualidade do elenco, treinador, lesões, planejamento esportivo e desempenho dentro de campo continuam sendo determinantes.
A diferença é que um calendário mais leve pode oferecer uma vantagem competitiva adicional.
O verdadeiro objetivo continua sendo disputar a Europa
Apesar dos benefícios esportivos de uma temporada sem competições continentais, nenhum grande clube inglês deseja permanecer muito tempo nessa situação.
A classificação europeia oferece receitas, exposição internacional e poder de negociação no mercado.
Além disso, disputar Champions League, Europa League ou Conference League ajuda os clubes a contratar e manter jogadores de alto nível.
Por isso, o grande desafio não consiste simplesmente em escolher entre Premier League e Europa.
Os clubes precisam construir elencos capazes de disputar as duas frentes.
Arsenal, Manchester City e Aston Villa mostraram que isso é possível. Entretanto, os exemplos recentes de Chelsea, Newcastle, Nottingham Forest e Tottenham indicam como uma temporada pode rapidamente se complicar quando o calendário começa a apertar.
Para os clubes ingleses, portanto, chegar à Europa representa apenas uma parte do caminho. Permanecer competitivo nela sem perder força na Premier League exige planejamento, investimento e um elenco cada vez mais profundo.
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Conclusão
Disputar torneios continentais continua sendo um dos principais objetivos dos clubes ingleses. Contudo, os números mostram que descanso, viagens e quantidade de partidas podem influenciar diretamente uma temporada.
Assim, enquanto algumas equipes aproveitam uma temporada sem Europa para crescer na Premier League, os grandes clubes precisam encontrar outra solução: montar elencos capazes de competir durante praticamente toda a semana.
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