A presença de duas bandeiras na WSL chama atenção não apenas pelo aspecto visual das lycras. Afinal, os símbolos também contam histórias de origem, família, território, cultura e identidade dentro do principal circuito mundial de surfe.
Na etapa de Saquarema de 2026, nove dos 60 competidores utilizaram duas bandeiras. Entre eles aparecem nomes como Tyler Wright, Alejo Muniz, Kauli Vaast e Vahine Fierro.
Assim, as bandeiras ajudam o público a conhecer um pouco mais sobre trajetórias que atravessam fronteiras e vão além do país representado oficialmente nas competições.
Duas bandeiras na WSL representam diferentes histórias
Nem todos os casos possuem a mesma explicação. Alguns atletas mantêm ligação com territórios que não contam com reconhecimento olímpico próprio. Outros destacam países onde nasceram ou onde possuem fortes vínculos familiares.
Kauli Vaast, Tya Zebrowski e Vahine Fierro, por exemplo, competem pela França, mas também utilizam a bandeira do Taiti. Nadia Erostarbe representa a Espanha e carrega também o símbolo do País Basco.
Além disso, a dinâmica da WSL apresenta uma característica diferente em relação ao movimento olímpico. Os surfistas havaianos, por exemplo, utilizam a bandeira do Havaí no circuito. Entretanto, em competições olímpicas e eventos organizados pela ISA, eles defendem os Estados Unidos.
Dessa forma, as duas bandeiras na WSL podem representar nacionalidade, raízes familiares, pertencimento cultural ou identidade pessoal.
Alejo Muniz une Brasil e Argentina
Alejo Muniz é um dos exemplos mais próximos do torcedor brasileiro. O surfista representa o Brasil, mas também utiliza a bandeira argentina.
Muniz nasceu na Argentina e possui familiares no país. Por isso, mantém essa ligação ao mesmo tempo em que construiu sua carreira esportiva representando o Brasil.
Casos semelhantes aparecem entre outros competidores. Isabella Nichols nasceu na Dinamarca e cresceu na Austrália, enquanto Marco Mignot possui uma trajetória familiar e geográfica que envolve França, Espanha, Nova Caledônia, México e Canadá.

Tyler Wright leva identidade e inclusão para a lycra
O caso de Tyler Wright apresenta uma característica diferente. A australiana utiliza a bandeira de seu país junto à bandeira do Orgulho LGBTQ+.
Bicampeã mundial em 2016 e 2017, Wright começou a competir com esse símbolo na abertura da temporada de 2021, realizada em dezembro de 2020. A iniciativa transformou a lycra da atleta também em uma forma de representar sua identidade.
Na ocasião, a surfista explicou que queria utilizar sua visibilidade no circuito para estimular conversas sobre identidade, inclusão e respeito. Portanto, sua representação ultrapassou a questão de nacionalidade e ganhou um significado pessoal e social.
A própria WSL apoiou publicamente a decisão. A entidade destacou, naquele momento, que o surfe deve ser um esporte aberto a todos e valorizou o uso da plataforma esportiva para promover inclusão.
Além disso, Tyler não foi a primeira atleta do circuito a utilizar uma bandeira ligada à identidade de um povo. O australiano Soli Bailey, representante do povo Yaegl, já havia competido no Championship Tour com a bandeira aborígene australiana.
Quem usou duas bandeiras em Saquarema
Na etapa de Saquarema de 2026, nove atletas apareceram oficialmente com duas representações:
- Alejo Muniz: Brasil e Argentina
- Isabella Nichols: Austrália e Dinamarca
- Kauli Vaast: França e Taiti
- Marco Mignot: França e México
- Nadia Erostarbe: Espanha e País Basco
- Tya Zebrowski: França e Taiti
- Tyler Wright: Austrália e Orgulho LGBTQ+
- Vahine Fierro: França e Taiti
- Yolanda Hopkins: Portugal e Grã-Bretanha
Portanto, olhar apenas para a bandeira principal nem sempre conta toda a história de quem entra no mar.

Surfe também conta histórias fora das ondas
A possibilidade de utilizar duas bandeiras na WSL reforça uma característica particular do circuito profissional. Além do desempenho esportivo, atletas conseguem mostrar diferentes partes de suas trajetórias.
Em alguns casos, a segunda bandeira representa o local de nascimento. Em outros, destaca a origem dos pais, a ligação com determinado território ou uma identidade pessoal.
Assim, uma pequena imagem estampada na lycra pode revelar uma história muito maior. Para quem acompanha o surfe, entender esses símbolos também ajuda a conhecer melhor os atletas que disputam cada bateria.
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